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Leitura Coletiva: A Guerra Que Me Ensinou a Viver

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Ler costuma ser um ato muito propício para ser realizado como um exercício de solitude: um encontro seu com um universo inexplorado, sem precisar dar as mãos para um outro alguém para partir. Não que isso seja a regra, existem formas de tornar o hábito da leitura coletivo, como por exemplo, com as leituras em grupo.  

No ano passado, em Dezembro, li o primeiro livro de uma duologia que muito me marcou: A Guerra Que Salvou a Minha Vida, da Kimberly Brubaker Bradley, publicado no Brasil pela Darkside Books, que se tornou um dos favoritos do ano, como comentei aqui. Nela, encontrei os irmãos Ada e Jamie, e me juntando a eles, fui morar em uma cidade do interior enquanto a guerra começava os ataques na metrópole, deixando toda a vida que conhecemos juntos ali, para trás. Quando encerrei o livro, encerrei também meu ano de 2019, e senti que não poderia ter escolhido minha última leitura de uma forma melhor. Pensando nisso, nesse último mês de 2020, me juntei, lá no Instagram, as meninas: @resenhaseafins1@libookciada, para novamente me encontrar com as crianças que em plena guerra, encontraram um novo lar.  


A partir do dia 01 de Dezembro, leremos juntas A Guerra Que Me Ensinou a Viver, e convidamos vocês para essa jornada! Dividimos a leitura de uma forma que ficasse leve para todes:  
      • Dia 1: capítulos 1 ao 8 (páginas 9-51) 
      • Dia 2: capítulos 9 ao 16 (páginas 52-93) 
      • Dia 3: capítulos 17 ao 27 (páginas 94-134) 
      • Dia 4: capítulos 28 ao 37 (páginas 135-176) 
      • Dia 5: capítulos 38 ao 47 (páginas 177-217) 
      • Dia 6: capítulos 48 ao 55 (páginas 218-252) 
      • Dia 7: capítulos 56 ao 63 (páginas 253-275) 

Para complementar a experiência, estaremos também em um grupo no Telegram. Para participar, clique aqui!
Vem com a gente terminar o ano com as esperanças renovadas?

Minhas leituras preferidas de 2019

segunda-feira, 23 de novembro de 2020


Em 2019, tendo que conciliar as leituras de entretenimento com a faculdade, não foram muitos os livros que de fato me marcaram, mas quando penso no que li naquele ano, sei muito bem quais ficaram entre os meus favoritos. Como naquela época o Suvenir Literário ainda não existia, os reuni em um post a fim de ter a oportunidade de falar um pouco sobre cada um deles. 

A Menina Que Roubava Livros, por Markus Zusak.

O li emprestado da biblioteca que frequento, e cheguei a resenhá-lo no Projeto Rata de Biblioteca. Contextualizado na Alemanha nazista, o livro é todo narrado pela Morte, tratada como uma personagem submetida às circunstâncias do totalitarismo no país. Zusak a humaniza ao demonstrar o cansaço da personagem de si e de sua função, precisando relembrar como era o mundo antes do momento tenebroso a que este foi posto durante a guerra. A presença de Liesel Meminger, então, passa a cumprir a função de atenuar um pouco o foco da Morte, já que em todas as vezes em que esta fica frente a frente com Liesel, sente a vida ainda muito presente, apesar de tudo o que ocorre à criança. Em um período em que os livros passaram a ser demonizados e queimados em praça pública, Liesel se esforça para criar o hábito da leitura e nele, encontrar esperança em um futuro melhor, tal qual a Morte o vê na criança. 

“Havia gente de todas as classes, mas, em meio a ela, os pobres eram os mais fáceis de reconhecer. Os empobrecidos sempre tentam continuar andando, como se a relocação ajudasse.”


Minha História, por Michelle Obama

A autobiografia de Michelle Obama mostra quem é a mulher por trás da Casa Branca. Relatando sua infância pobre, os conflitos raciais da época, a criação que recebeu dos pais e como tudo isso a levou a uma das melhores universidades mundiais, Michelle desfoca um pouco seus relatos da figura do marido e do poder a que o sobrenome Obama foi aliado nos últimos anos, compartilhando, inclusive, como foi conhecê-lo muito antes de todos os planos políticos e como se apaixonou por ele de uma forma nada linear. A escrita é muito envolvente e gostei muito de conseguir visualizar alguém palpável no que foi compartilhado, mas ainda assim, precisei relevar alguns pontos para que a leitura seguisse como uma das minhas preferidas, já que em diversas passagens o American Way of Life e a glamourização do sistema desigual norte-americano são colocados como dignos e de fácil acesso. 

 

O Conto da Aia, por Margaret Atwood

Assim como A Menina que Roubava Livros, o emprestei da biblioteca e resenhei no Projeto Rata de Biblioteca. Foi meu primeiro (e até agora, único) contato com a escrita de Atwood e apesar de favorito, até hoje me causa um estado de alerta, como se nenhum lugar no mundo fosse capaz de ser seguro para uma mulher. Também gostei muito da adaptação para TV, The Handmaid's Tale, que considerei até mais forte que a leitura. 

“Eu me sinto como algodão-doce: açúcar e ar. Aperte-me e me transformarei num pequeno chumaço enjoativo e úmido de vermelho-rosado lacrimejante.”

A Guerra que Salvou a Minha Vida, por Kimberly B. Bradley

Ada e seu irmão mais novo, Jamie, vivem em uma situação de puro desleixo pela mãe, que os vê como um difícil fardo a ser carregado em uma época de poucos recursos financeiros e com uma guerra se iniciando. O tratamento é ainda pior com Ada, que nasceu com um pé torto, não cuidado corretamente ao longo dos anos, tornando-a a "aberração" do bairro e sendo, por esta razão, impedida de deixar a casa por sua mãe, para que não cause "nojo" nos vizinhos, enquanto seu irmão tem total liberdade para sair e brincar com outras crianças. Além disso, Ada recebe diversos castigos físicos e fica responsável por tarefas domésticas pesadas para sua idade. Se a guerra poderia piorar ainda mais a situação das crianças, é o oposto o que acontece: Ada descobre que as crianças estão sendo retiradas da cidade para lugares mais interioranos, a fim de protegê-las de possíveis ataques. Indo com seu irmão escondida para a escola onde as crianças serão cuidadas até seus destinos, a menina vê uma chance de uma nova vida cada vez mais próxima de si, e a partir dessa fuga, Ada descobre o verdadeiro amor materno, mesmo que não de sangue, em uma nova casa. 


Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, por Yuval Noah Harari.

Fazia muito tempo que buscava um livro de não ficção que me prendesse. Quando comprei Sapiens, depois de ver algumas declarações do historiador Yuval Noah Harari na internet e gostar do que li, ainda tinha medo de encontrar uma leitura muito extensa ou pouco didática, mas lê-lo foi o exato oposto disso. Yuval é ótimo em tornar suas ideias o mais acessíveis possível, preocupando-se em explicar conceitos anteriores para que seus objetivos fiquem claros sem, em nenhum momento, cair em uma linguagem academicista. Foi um livro que me ensinou muito e que vira e mexe sinto vontade de reler. 

E vocês, lembram quais foram suas leituras preferidas de 2019?

Resenha | Se Deus Me Chamar Não Vou, por Mariana Salomão Carrara

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Foto por Suvenir Literário.

Se Deus Me Chamar Não Vou, livro nacional escrito pela autora Mariana Salomão Carrara, e publicado em 2019 pela editora Nós, está disponível no serviço de assinatura de e-books da Amazon, Kindle Unlimited. A obra ficou entre as dez finalistas do prêmio Jabuti 2020 na categoria Romance Literário. 

Maria Carmem, a protagonista que narra o livro, tem apenas 11 anos, mas muitas opiniões para dar sobre o que observa ao seu redor. É essa personalidade mais dada a observar e analisar o que vê que torna o livro tão bom: Maria conversa o tempo todo com o leitor, ao contar seus pensamentos, suas vontades imaginativas, e mais tarde, a nos fazer entender que sua narração ocorre pois a personagem está escrevendo um livro em seu computador, como pedido pela professora, e somos nós os primeiros a conseguir acesso a ele, enquanto os acontecimentos se desenrolam. 

“Ficamos dizendo o tempo todo palavras que não são as melhores, as melhores vêm só depois. Por isso que vai ser legal quando eu for escritora, dá tempo de selecionar as palavras.”

Os pais são donos de uma loja de utensílios hospitalares, ou como Maria sempre fala, loja pra gente idosa. A criança, filha única, leva uma vida comum para sua idade, indo da escola para casa e ajudando os pais na loja. Por mais que a personagem seja nova e não tenha uma vida com dificuldades trágicas, aos poucos, temos acesso as suas aflições: a solidão que sente por não se encaixar nos grupos da escola, o sentimento de rejeição, a dificuldade em se aceitar por causa do peso, e mais tarde, o acontecimento fora do comum no casamento dos pais. 

“[…] os adultos são cheios de arrependimentos e ficam achando que a gente vai ser também.”

Tanto as dores como os bons momentos da personagem são sempre expostos e dissecados por seus pensamentos, tornando a identificação com ela fácil a partir disso. Em um momento muito próximo da saída da infância para a adolescência, Maria nos faz lembrar como é ser alguém já inteiro, ciente do que acontece e com opiniões, ainda preso em um corpo que não é tão ouvido pelos adultos por causa da pouca idade.


Mariana Salomão Carrara nasceu em São Paulo. Além de Se Deus Me Chamar Não Vou, tem outras três publicações em seu nome. Junto da carreira na literatura atua como servidora pública. 


Resenha | Adivinha Quem Não Voltou Pra Casa?, por Pedro Poeira

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Foto por Suvenir Literário.

Adivinha Quem Não Voltou Pra Casa? é um conto nacional publicado de forma independente pelo autor Pedro Poeira como e-book na Amazon. Atualmente, está disponível no catálogo do serviço de empréstimos Kindle Unlimited. 

Murilo passou a noite fora com seus amigos em uma balada paulistana. Ao chegar em casa, sua irmã, Melissa, o recebe com a exata frase que dá nome à obra. Sua mãe, viciada em bingos, sempre costuma demorar um pouco mais para voltar pra casa após uma jogatina, então em um primeiro momento nenhum dos seus filhos se preocupa com afinco. O mais velho, se recuperando da noite não dormida, começa a se afligir quando percebe que o celular da mãe foi deixado em casa, e os papeis começam a se inverter: se é sempre a matriarca quem se preocupa até que seus filhos estejam em casa, ou, pelo menos, que respondam suas mensagens, agora são eles quem não conseguem relaxar sem novas notícias do paradeiro dela. 

Tomado pelo desespero, Murilo sai com a irmã até o bingo que Mônica, a mãe, frequenta, e uma nova pista surge: na noite anterior, Mônica saiu com um prêmio alto em dinheiro. Com novas informações que os levam a possíveis lugares visitados após a vitória no jogo, Murilo e Melissa passam a precisar conversar sobre coisas que até então evitaram, como distanciamentos, mudanças e machucados causados pela falta de diálogo. 

"[...] sempre pregou que era melhor falar sobre os sentimentos antes de se deixar ser consumido por eles, porém ele mesmo raramente deixava os seus transparecerem."

Com a narração final passando a ser dividida entre os personagens, incluindo até mesmo a gata Matilda, descobrimos um pouco mais sobre como a relação familiar entre eles vem sendo moldada até o ponto em que não podem mais evitar falar uns com os outros. 

É incrível notar como Pedro Poeira conseguiu dar tantas nuances aos seus personagens quando temos acesso a menos de doze horas de suas vidas. 


Pedro Poeira é formado em Letras pela Universidade de São Paulo, e além de Adivinha Quem Não Voltou Pra Casa?, já publicou I See Fire, sob o pseudônimo Pedro Lazo; Aqui Jaz João Santiago e Quantas Novalginas Você Já Tomou Hoje? na coletânea As Crônicas da Unifenda.